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Eu Amo Escrever Oficial


Sim, eu estou fugindo.

Fugindo de mim mesma. Fugindo do mundo.

Não alimentei conversa com a vizinha, cortei as ladainhas do meu primo, optei por não ouvir as lamúrias da minha mãe. Fui seca e direta nas mensagens de texto, deixando claro não estar bem e sem vontade de transparecer o contrário. Desliguei o celular, ignorei as redes sociais, fingi que não tinha afazeres na e da faculdade para resolver.

Eu decidi sumir, rompi com todos, mas com data certa para voltar.

Os motivos, eu tenho vários: acordei péssima; ouvi o que não queria; percebi que não posso esconder algo que sinto e agir como se isso não me afetasse; cansei de papos furados em uma tela fria e impessoal, conversar de boca fechada e imaginar expressões; saudade de quando não havia essa pressão de se comunicar o tempo todo com as pessoas; frustrada por querer fazer tudo e no final acabar com um grande nada; sem saco para gente; triste por não escutarem meu pedido silencioso por ajuda; entre outros.

Talvez eu queira chamar atenção. Talvez eu idealize demais, e espere demais, e queira demais. Mas essa sou eu. Alguém cansada de ir atrás das pessoas, enquanto ninguém é capaz de vir atrás de mim. Pessoalmente. Calorosamente. Afetuosamente. Todos os “mentes” positivos possíveis. Virtualmente está banido.

Cortar relações com o celular é um retiro de purificação no qual você entra carregado de sentimentos conflituosos e sai de alma lavada. Sem tiques de alertas falsos de novas mensagens. Pode ser também uma grande aventura, como viver sem despertador, agenda de lembretes ou uma distração para aqueles momentos de nada. Ao mesmo tempo, é uma experiência libertadora estar em qualquer lugar sem ter algo para lhe rastrear, saber quem realmente sente sua falta e não se frustrar por não ter nada de novo para olhar.

Estou fugindo porque virei refém da tecnologia e isso está afetando meu pessoal. Graças a ela (tecnologia), invento desculpas para não viver realmente, e sem ela (tecnologia), o mundo é uma possibilidade infinita de formas e cores. Imagine que louco poder explorar tudo isso ao vivo.

Queria mesmo uma dose de realidade, o som de gargalhadas ao vivo, quem sabe um lenço estendido para enxugar as lágrimas de alguém sofrido. Um abraço verdadeiro, um convite bem feito, a presença de alguém. Real. Verdadeiro. Encontre-me no meu endereço. E o melhor: por puro e deleite de se estar ali.

Isso deve ser pedir muito.

Por isso eu fugi.
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Não desista, não. Sei que está difícil no momento; na mesma hora em que tudo está bem o chão bambeia aos seus pés e você está em cima do muro novamente, pendendo de um lado a outro, pronto para cair na escuridão mais uma vez. Não pule... Você estava indo tão bem ultimamente! Por que essa vontade de subir lá e se deixar sucumbir por sentimentos que te deixam tão mal?

Não, você não é inútil, se fosse, qual o motivo de estar aqui na Terra? Você também não veio para cá por acaso, acredite. Seu livro da vida está em branco, ou sem graça, porque você o deixou desse modo, mas isso pode mudar.
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É horrível carregar um sentimento que ninguém entende e você tampouco consegue explicar, nem para si mesmo. Pior ainda é a sensação de estar nessa sozinho, não ter ajuda alguma, nem daqueles que supostamente estão ao seu lado. Contar um ou outro problema às pessoas parece algo natural, todos têm momentos difíceis na vida, certo? A coisa muda totalmente quando você só tem problemas e lamúrias para compartilhar, e começa a se sentir um fardo no meio dos amigos e da família.

Por mais que digam que amizade é isso, algo como estar lá “na alegria e na tristeza”, quase um acordo matrimonial, você, de fato, não vai querer fazer o papel da tristeza. Ninguém quer. Afinal, com a felicidade, o riso, as notícias boas, todos sabem lidar perfeitamente; do contrário, solte uma bomba e veja quantos saberão reagir a ela. Consigo contar nos dedos e ainda sobram alguns.
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É terrível não se reconhecer mais. Olhar as coisas que antes traziam felicidade extrema e hoje não significarem nada. Acompanhar as conversas de amigos e notar que não tem ânimo para se manifestar, os assuntos não interessam mais, e o pior, se achar deslocado no meio de pessoas que antes era seu tudo.

Encaro meu reflexo no espelho. Depois de um longo e fadigado “não aguento mais”, observo a estranha que me fita de volta e tento encontrar resquícios da velha eu naquela garota. Talvez, se encará-la o suficiente, ela me liberte dessa carceragem psicológica. Quanto custa a fiança? Quando será o julgamento?
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Sobre a Autora



Geminiana. 24. Baiana e escritora. Sonha escrever um best-seller. Criatividade é o seu nome do meio, e o primeiro, Andresa.


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